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Mulher dormindo de lado em cama com roupa de cetim e travesseiro branco em ambiente claro e tranquilo

Freud e o sonho: a representação do desejo inconsciente

Já trouxemos conteúdos sobre higienização do sono, melhor posição para dormir e até sobre a posição ideal da cama segundo o Feng Shui. Mas um grande mistério ainda ronda muitos de nós: os sonhos.

Sabemos que os sonhos acontecem na fase do sono REM — etapa em que as operações cerebrais funcionam em constante atividade e o estado de vigília dá lugar ao mundo onírico.

Dos sonhos, o que muitos conhecem é sua falta de lógica e sua aproximação do non sense. Afinal, enquanto os olhos se movem rapidamente, a mente aglomera imagens de um jeito que aparentemente nada faz tanto sentido assim.

Entender os sonhos pode parecer uma tarefa difícil. Mas, ao voltar os olhos para a psicanálise, descobrimos um universo repleto de significados — especialmente quando consideramos o que Freud tem a dizer.

No post de hoje, convidamos você a desvendar os sonhos a partir de uma perspectiva psicanalítica. Confira!


Os sonhos segundo Freud

O marco inicial da psicanálise concentra na obra A Interpretação dos Sonhos, de Freud. De início, é importante entender que os sonhos tratados na obra são os sonhos que temos quando dormimos — os sonhos sonhados.

Outro ponto relevante: como o próprio título sugere, Freud considera todos os tipos de sonhos interpretáveis.

Para o psicanalista, o sonho representa de forma disfarçada um desejo inconsciente.

Quando dormimos, saímos de um mundo de estímulos externos e entramos no mundo onírico, onde a consciência adormece. Nesse momento, o relaxamento da defesa psíquica separa o inconsciente do pré-consciente.

Esse relaxamento permite que algumas imagens atravessem a barreira psíquica e formem o sonho como o conhecemos.


Por que lembramos apenas partes do sonho?

Provavelmente você já acordou com fragmentos do que sonhou na noite anterior. Mesmo tentando muito, algo sempre escapa.

Isso acontece porque o que permanece na memória não é o sonho em si, mas resquícios da experiência que o EU resgata, ordena, significa e comunica.

Aqui está o grande ápice da teoria freudiana: o sujeito que relata o sonho é o mesmo que tenta recalcar o desejo — e que, por um escape, o vê representado no sonho.


Conteúdo manifesto e conteúdo latente: os 4 mecanismos do sonho

O que mais nos interessa saber é do que tentamos nos defender. Freud chama isso de passagem do conteúdo manifesto — o trabalho do sono. Para ele, quatro mecanismos do sonho permitem interpretação:

Condensação O sonho resume e concentra os desejos recalcados em representações que precisam de decifração. Uma única imagem pode condensar diversas representações ao mesmo tempo.

Deslocamento A mente afasta o objeto real e transfere o foco emocional para um objeto secundário e aparentemente irrelevante. O detalhe torna o ponto principal — e a defesa contra o desejo já atuou para torná-lo insignificante.

Dramatização A imaginação supera a razão e transforma em imagens o que vivemos durante o dia. Dessa forma, algo que ouvimos pode aparecer no sonho como uma cena visual.

Simbolização A imagem que o sonho cria representa, na verdade, outro objeto — escondido, mas que de alguma forma fez ou faz parte da vida do sujeito.

Freud ainda compara os sonhos a um jogo em que letras e figuras se misturam para formar uma palavra ou frase a decifrar.

Isso significa que não existe uma simbologia universal dos sonhos. Mesmo que a experiência seja universal, a interpretação é singular — cada sonho se conecta às associações particulares de quem o sonhou.


Como os sonhos se formam?

Segundo Freud, os sonhos se formam a partir dos restos diurnos: pensamentos e experiências recentes que o inconsciente articula com o desejo reprimido.

Um desejo inconsciente atravessa a barreira psíquica e se conecta a memórias recentes. Dessa conexão, surge uma representação que o sonhador entende como a distorção de um desejo.

Por meio da análise, o terapeuta e o paciente decompõem todas as representações associativas e condensadas para chegar aos múltiplos sentidos do sonho. E aqui vale uma ressalva importante: um sonho não tem apenas um único significado — ele carrega vários, a depender inclusive da época em que o sujeito o relata.


Gostou de saber mais sobre Freud e os sonhos? Esperamos que esse objeto misterioso tenha ficado um pouco mais claro para você. Se gostou do post, navegue pelo nosso blog e confira mais curiosidades sobre o sono e sua arquitetura.

Até mais!

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