
Já acordou confuso de manhã? Entenda por que isso acontece
Você já acordou meio desorientado, sem saber onde estava e com dificuldade até para andar? A ciência chama esse fenômeno de parassonia. Esse tipo de experiência acontece, aliás, com cerca de 15% das pessoas, segundo a revista Neurology.
A publicação divulgou recentemente um artigo sobre o tema. Os pesquisadores basearam o estudo em dados de sono de cerca de 20 mil americanos com 18 anos ou mais.
Os resultados mostraram que aproximadamente 2.400 pessoas — ou seja, 15% dos participantes — acordaram confusas pelo menos uma vez no ano anterior ao estudo. Além disso, 14,8% não só acordaram desorientadas como também perambularam à noite em algum momento.
O que causa a parassonia?
Os cientistas investigaram as possíveis razões do fenômeno e encontraram um padrão claro. Entre as pessoas que passaram pela experiência, 84% tinham distúrbios psicológicos, problemas relacionados ao sono ou faziam uso de medicação psicotrópica — em geral, antidepressivos.
Segundo os pesquisadores, depressão, alcoolismo e sono fora da faixa ideal (menos de 6h ou mais de 9h) estão entre os principais fatores. Além disso, como muitas pessoas usam o celular como despertador, não é raro que tentem atendê-lo justamente quando a parassonia acontece pela manhã.
20 coisas que a ciência já descobriu sobre o sono
O sono — e a falta dele — são assuntos recorrentes no mundo da ciência. De cigarro a smartphones, muita coisa pode impedir uma noite tranquila. Por outro lado, um cochilo na medida certa diminui a fome, melhora a memória e aumenta a disposição. Confira, portanto, as descobertas a seguir.
Genes
Um experimento da Universidade do Texas acompanhou 26 pessoas. Dormir cerca de 6 horas por dia durante uma semana afetou 711 genes em células do sistema sanguíneo. Como resultado, funções do organismo — como o metabolismo — ficaram desequilibradas.
Obesidade
Pesquisadores da Universidade de Kitasato acompanharam 35.247 funcionários de uma empresa japonesa durante um ano. Ao final do período, o número de obesos aumentou entre operários homens que dormiam menos de 5 horas por dia.
Casais
Cientistas da Universidade de Pittsburgh monitoraram 46 casais por 10 dias. Em seguida, as duplas responderam questionários. Os dados revelaram que 75% das esposas satisfeitas com seus maridos dormiam e acordavam no mesmo horário que eles.
Cigarro
Cada cigarro fumado representa 1 minuto a menos de sono. Pesquisadores da Universidade da Flórida fizeram essa descoberta. Segundo eles, 10,6% dos fumantes se levantam durante a noite e, além disso, 11,9% têm dificuldade para dormir.
Cafeína
Café, coca-cola e outros produtos com cafeína prejudicam o sono quando consumidos à noite. De acordo com um estudo da Universidade de Detroit, 400 miligramas da substância ingeridos até seis horas antes de dormir reduzem o tempo de sono em mais de uma hora.
Crianças
Pesquisadores da Universidade do Colorado usaram encefalogramas para analisar o sono infantil. Os resultados mostraram aumento de até 20% nas conexões entre os hemisférios cerebrais durante uma boa noite de sono. Portanto, mais conexões significam maior domínio de linguagem, atenção e controle de impulsos.
Fome
A Universidade de Uppsala conduziu um experimento com 14 homens. Parte do grupo passou uma noite em claro; a outra parte, por sua vez, dormiu normalmente. Os que não dormiram consumiram 9% mais calorias e escolheram alimentos 18% mais calóricos. Ou seja, a falta de sono aumenta a fome.
Ronco
Pesquisadores do Hospital Henry Ford estudaram 913 pessoas e descobriram que a vibração do ronco pode causar alterações perigosas na artéria carótida. Consequentemente, segundo os médicos, essas mudanças elevam o risco de problemas vasculares.
Lua
Cientistas da Universidade de Gothenburg, na Suécia, monitoraram 47 voluntários. Os dados mostraram que, na lua cheia, o tempo de sono cai até 25 minutos em comparação a outros períodos do ciclo lunar.
Ômega 3
Um estudo da Universidade de Oxford analisou 362 crianças. Após quatro meses tomando 600 miligramas diárias de Ômega 3 — substância presente em peixes e algas —, os participantes dormiram quase 1 hora a mais por noite. Trata-se, portanto, de um nutriente com impacto direto na qualidade do sono.
Maconha
A Universidade da Pensilvânia analisou 1.811 pessoas entre 20 e 59 anos. Os dados mostraram que quem começa a fumar maconha antes dos 15 anos tem o dobro de chance de desenvolver problemas de sono em comparação à média.
Cochilo
Pesquisadores da Universidade de Düsseldorf testaram os efeitos de uma soneca curta com 26 pessoas. Apenas seis minutos de cochilo foram suficientes para melhorar a memória. Dessa forma, os que cochilaram lembraram melhor uma lista de 30 palavras do que os que não dormiram nada.
Executivos
A empresa Omint realizou um estudo com cerca de 18 mil executivos brasileiros. Os resultados apontaram a insônia como a décima doença mais comum entre eles — 9,16% dos entrevistados relataram o problema. No topo da lista, por sua vez, está a rinite.
Diabetes
Dormir pouco eleva os níveis de glicose no sangue e, ao mesmo tempo, reduz a produção de insulina. Essa combinação é especialmente perigosa para quem já convive com diabetes e insônia, pois compromete o equilíbrio do açúcar no organismo.
Charadas
Pesquisadores da Universidade de Albion apresentaram charadas a 428 universitários. Metade havia dormido bem; a outra metade, não. Surpreendentemente, os que estavam com sono privado tiveram desempenho 50% melhor na resolução dos problemas.
Produtividade
Uma pesquisa da revista Sleep acompanhou 7.428 trabalhadores. Os dados revelaram que a falta de sono gera, em média, 11 dias de ausência no trabalho e perda de 2,3 mil dólares por pessoa ao ano. No total, portanto, o país perde 63,2 milhões de dólares anualmente por causa do problema.
Gadgets
O neurocientista Phyllis Zee, da Northwestern University, alerta: usar gadgets à noite prejudica o sono. Isso ocorre porque os aparelhos emitem luz azul, que engana o cérebro e inibe a produção de melatonina — hormônio responsável por induzir o sono.
Divórcio
Psicólogos da Universidade do Arizona acompanharam 138 pessoas recém-divorciadas por sete meses e meio. Os resultados mostraram uma relação direta entre insônia e aumento da pressão arterial. Quem relatava dificuldade para dormir desenvolvia, em geral, problemas de pressão cerca de três meses depois.
Palavras
A Fundação Nacional de Ciência da Suíça conduziu um experimento com 60 pessoas. Metade aprendia palavras em holandês antes de dormir; durante a noite, um sistema de som repetia essas palavras. Por fim, esse grupo lembrou mais significados do que os participantes que, ao contrário, não ouviram as palavras enquanto dormiam.
Fonte: Exame/Abril
