
Aprender dormindo: é realmente possível?
O cérebro é um dos órgãos mais complexos que temos e guarda muitos mistérios. Aliás, você sabia que é possível aprender dormindo?
Essa é só uma das muitas coisas extraordinárias que o nosso cérebro consegue fazer. Claro que esse aprendizado não supera o aprendizado consciente, mas representa uma boa maneira de introduzir novos assuntos.
Quer entender como isso acontece? Acompanhe a leitura!
O que acontece com o cérebro enquanto dormimos?
Todo mundo já sabe que dormir é essencial para a saúde. O sono nos ajuda a descansar, relaxar o corpo e desligar das preocupações do dia.
Mas o cérebro também aprende enquanto dormimos. A mente humana é capaz de adquirir conhecimento mesmo em estado de inconsciência.
Você já percebeu que, antes de dormir, quando ficamos no celular ou assistindo a um filme, essas imagens aparecem nos sonhos? Pode não ser da mesma forma, mas estão ali presentes.
O aprendizado durante o sono funciona mais ou menos assim: no momento do sono, o cérebro internaliza tudo o que aprendemos, vimos e falamos durante o dia — sejam atos corriqueiros ou novidades. Por isso, ele não fica “desligado”.
Mesmo que as ondas cerebrais se movimentem menos do que durante o dia, o cérebro ainda reage a estímulos externos.
Há muito tempo, pesquisadores conduzem estudos sobre o aprendizado no sono. A conclusão não pende totalmente para o lado positivo nem para o negativo: nossa mente aprende, sim, mas não tão ativamente quanto quando estamos acordados.
O que os estudos dizem?
A Universidade de Berna, na Suíça, conduziu um estudo com diversos voluntários para investigar se o cérebro consegue fazer associações durante o sono com base na atividade das células cerebrais.
O ponto de partida da pesquisa foi a descoberta de que, durante o sono profundo, as células cerebrais permanecem ativas por um determinado período e depois entram em inatividade — e isso ocorre a cada meio segundo.
Nesse intervalo, o cérebro consolida a memória e absorve informações novas.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores fizeram os voluntários ouvirem duas palavras durante o sono profundo. As palavras pertenciam a um idioma inventado que remetia ao alemão, língua nativa dos participantes.
Na língua nativa, as palavras eram “chave” e “elefante”. No idioma inventado, os pesquisadores as associaram, respectivamente, a “tofer” e “guga”.
Ao acordar, os voluntários responderam qual palavra remetia a algo grande e qual remetia a algo pequeno. Todos associaram os vocábulos corretamente — mesmo tendo ouvido as palavras durante o sono profundo.
Esse aprendizado ocorre porque o hipocampo e o sistema semântico do cérebro trabalham juntos para recuperar o que o cérebro absorveu no estado de inconsciência. Assim, cai por terra a ideia de que dormir é perda de tempo. Dormir é essencial!
Vale, no entanto, uma ressalva: esse sistema de aprendizagem não deve ser muito frequente. O excesso de estímulos pode atrapalhar as funções que o cérebro já desempenha durante o sono e, consequentemente, piorar a qualidade do descanso.
É possível aprender um novo idioma dormindo?
Agora que o cérebro comprova essa capacidade de aprendizado, surge uma dúvida natural: dá para aprender algo mais complexo, como um novo idioma, durante o sono?
A resposta, mais uma vez, não é totalmente positiva nem negativa. É possível — mas não com a eficácia que um curso de conversação ou outras estratégias proporcionam.
A MosaLingua, empresa especializada em ensino de idiomas por aplicativo, pesquisou essa possibilidade. O app da empresa oferece uma funcionalidade que reproduz novas palavras em loop enquanto o usuário dorme.
Durante um período de testes, voluntários usaram o recurso para aprender um novo idioma. O resultado: 67% dessas pessoas melhoraram o desempenho na memorização de vocabulários estrangeiros.
Porém, esse resultado só ocorreu entre pessoas que já tinham algum contato prévio com a língua. Para quem nunca teve contato com o idioma, apenas 28% apresentaram resposta positiva.
Portanto, durante o sono o cérebro trabalha melhor com conhecimentos já existentes, aprofundando e consolidando o que já aprendemos — e não criando aprendizados totalmente novos do zero.
O que tiramos de tudo isso é que os estudos ainda têm muito a revelar. É possível, sim, aprimorar habilidades durante o sono — desde que os métodos não sejam invasivos ao cérebro e não prejudiquem a qualidade do descanso.
